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TEMPERAMENTO

Afetuoso e plácido, nunca agressivo ou tímido, nunca ouvi falar de um Basset Hound ter mordido alguém. Ele não reage nem quando maltratado pelas crianças que adoram puxar suas longas orelhas e apertar seu comprido focinho. Sua vocação para a não violência é marcante. Quando agredido, prefere correr e se esconder. O corpo longo e pesado sobre pernas bem curtas não favorecem a velocidade e nem grande atividade.
Correr e brincar, só às vezes. O negócio mesmo é descansar. O Basset Hound prefere dar suas cochiladas a se exercitar. O Basset Hound é assim: brinca dois minutos e dorme duas horas. "Andam e brincam um pouquinho, mas logo aproveitam essa liberdade ao ar livre para fazer o que preferem: dormir um pouco mais".
O Basset Hound quando atraído por estímulos, como o chamado do dono, e com espaço para brincar, mostra-se mais ativo do que quando fica em pequenos ambientes.

Com a aparência tão reveladora, diminuem as chances de seus donos serem pegos de surpresa no convívio com o Basset Hound. Os EUA são um bom termômetro para medir o grau de enganos que a escolha de uma determinada raça pode causar, por incompatibilidade com o estilo do dono. Lá se encontra uma das maiores criações de cães do mundo e também é um país onde muitos cães são abandonados, o que motivou os americanos a criar entidades especializadas em recolocar exemplares, de quase todas as raças, em novos lares. São as chamadas Rescue. Um dos motivos freqüentes para a devolução de várias raças é a decepção com o temperamento do cão. Com o Basset Hound isso raramente acontece. É o que garante a presidente do National Bassethound Cares Incorporated, em Colorado - EUA, Libby Sallada. "Como o Basset Hound não apresenta um temperamento que dificulte a convivência, fazendo artes em excesso ou sendo agressivo, como acontece com outras raças, é difícil que o motivo da devolução esteja ligado ao comportamento", diz. As raras exceções de Basset Hounds devolvidos são por um engano de avaliação. Por parecer tranqüilo, pode passar a idéia de que não se incomoda de ficar sozinho... é uma raça originalmente acostumada a longas caminhadas em matilha, farejando trilhas nas caçadas. Não está habituado a ficar sozinho.

O Basset Hound pertence a um grupo de cães que se consagrou por originar excelentes companheiros - os cães de caça -, já que a função requer grande proximidade com o homem. Seu uso recente é quase que exclusivamente para companhia. Embora seja um ótimo farejador, equiparável ao Bloodhound (considerado o melhor faro do mundo), persistente na perseguição e resistente a ponto de andar horas a fio, é tido como lerdo demais na perseguição à presa. É o que ocorre na Inglaterra, que mantém a tradição da caça.
Quando não estimulado pelas emoções de seguir trilhas, o Basset Hound faz aflorar todo o seu lado preguiçoso. Fica por conta do dono conseguir motivá-lo a se mexer. Pelo menos meia hora de caminhada diária é importante para não ficar obeso, já que é um comilão, e desenvolver a musculatura que sustenta a estrutura vertebral muito longa, típica da raça. Problemas de coluna e articulações são comuns na raça, de acordo com o veterinário Tim Phillips, de Ferndown, em Dorset, Inglaterra. Cabe ao dono, também, controlar a quantidade de comida diária, resistindo ao seu olhar de "quero mais".